Título
Entre as palavras e a intervenção social: análise de uma trajetória individual em uma ação de educação ambiental interpretada a partir da Filosofia da práxis
Esta pesquisa aborda um esforço de compreensão e de elaboração da dialética de uma ação desenvolvida pelo autor no campo da educação ambiental, fazendo emergir os desafios da integração entre teoria e prática na produção científica. Embora não tenha se estruturado como uma pesquisa-ação, a investigação resultou no esclarecimento da distância que a separa daquela metodologia. O objeto da pesquisa foi inicialmente a trajetória do autor através do acontecimento do curso de formação de agentes locais de sustentabilidade (2003-2004) promovido pela Universidade de São Paulo e financiado por uma empresa brasileira do setor de celulose e papel. Inicialmente se pretendeu demonstrar a tese de que a pouca dedicação à dimensão teórica naquela prática (representada pelas imprecisões no uso das palavras) poderia indicar uma obstrução significativa da dialética teoria-prática nas formas de pensamento-linguagem do autor, dificultando a reflexividade crítica que se pretendia alcançar nesse processo formativo. Seguindo as pistas de uma pedagogia da práxis, desenvolveu-se um estudo filológico a partir das noções de dialética, filosofia da práxis e pedagogia, interrogando-se sobre o conceito de práxis. Esta investigação levou o pesquisador a revisitar algumas trajetórias de sua iniciação no campo da educação ambiental. Entre as interpretações que se tornaram possíveis na argumentação da tese, entendeu-se que para o favorecimento de uma vertente crítica e emancipadora em educação ambiental faz-se relevante a compreensão da herança marxista aí presente como filosofia da práxis, e igualmente relevante é a compreensão das críticas que essa herança recebeu ao longo do século XX. Entre elas, destacaram-se as contribuições de Cornelius Castoriadis e de Jürgen Habermas, este último influenciado pelo pragmatismo e empenhado na superação do paradigma da subjetividade – a filosofia do sujeito – em direção ao paradigma do entendimento recíproco – uma filosofia da intersubjetividade. Por outro lado, percebeu-se que a relevância da intervenção social para tal vertente na educação ambiental pode ser mais bem realizada na compreensão e problematização da proposta da pesquisa-ação de Kurt Lewin (influenciada pelo pragmatismo) pela perspectiva da filosofia da práxis, como em René Barbier. Ao final, conclui o autor que o conceito de práxis, compreendido como a ação intersubjetiva que favorece simultaneamente a autonomia individual e coletiva, permitiu-lhe a reinterpretação de sua trajetória como uma etapa necessária da própria dialética que buscou compreender, ressignificando assim a própria tese que pretendeu demonstrar, uma vez que a relativa desobstrução da dialética teoria-prática em sua ação educativa só pôde ser parcialmente demonstrada: uma demonstração integral insere-se no desafio de se estruturar um processo formativo inscrito em uma pesquisa-ação, em diálogo com o debate aqui apresentado.