Título
Arquitetura na interface com a educação: outras referências
O trabalho defende a possibilidade de uma mudança de referência na concepção da arquitetura na interface com a educação. Reconhece a superação da sala de aula convencional como principal lócus de transmissão de informação e a existência de múltiplas possibilidades espaciais relacionadas à educação não formal e propõe que as políticas educacionais considerem os espaços públicos das cidades como instâncias educativas e boas referências na formação cotidiana dos indivíduos. É visto que Anísio Teixeira tentou implantar a educação integral no Brasil propondo novos espaços pedagógicos para a escola, com uma função não apenas didática e intelectual mas também social e cultural. Hoje, porém, a regra geral continua sendo a simplificação do programa arquitetônico das escolas formais, reduzindo-o a um conjunto de salas de aula-padrão. Por outro lado, as novas tecnologias oferecem uma infinidade de recursos para a transmissão de informação, grande parte interativa, superando a sala de aula convencional nessa função, o que flexibiliza a possibilidade de uso do tempo e espaço escolares. Por sua vez, o terceiro setor vem atuando na área educacional com práticas pedagógicas diferenciadas da educação formal, sobretudo no que se refere à não padronização de tempos e espaços. Porém, a dicotomia do ensino continua a existir, pois as atividades artísticas, esportivas, socializantes e do trabalho continuam, tanto no projeto pedagógico quanto no arquitetônico, separadas da tradicional escola de instrução. Além de apontar essa dicotomia, o trabalho faz uma leitura de outros espaços públicos como espaços educativos em potencial, partindo do pressuposto de que a educação informal abrange todas as possibilidades educativas ao longo da vida do indivíduo. Essas ideias são baseadas no pensamento de Ivan Illich, que defende o investimento em outras instituições provedoras do aprendizado, e Félix Guattari, que chama a atenção ao fato de só haver verdadeira resposta para a crise ecológica que estamos vivendo na condição de se assumirem novos sistemas de valoração, fazendo emergir outros mundos, diferentes da pura informação abstrata. Com base nessas ideias, este trabalho também aborda as políticas públicas urbanas contemporâneas, que muitas vezes fazem as suas escolhas do ponto de vista do poder econômico, negligenciando as questões sociais e sem levarem em conta alternativas que tragam maiores benefícios para a educação da população. Essas abrangem políticas de preservação, sejam patrimoniais ou ambientais, assim como políticas de ocupação e uso do solo.