Título
Formação técnica para o ecodesenvolvimento: uma avaliação do ensino técnico agrícola em Santa Catarina no período 1992-2002
Estão as atuais políticas públicas voltadas à formação profissional de nível técnico cumprindo os compromissos assumidos pelo país em torno da Agenda 21? Tomando como referência a problemática do meio ambiente, o estudo traça uma radiografia da inserção integrada das dimensões ambiental, cultural, econômica, política e social na concepção e implementação das políticas de profissionalização no ensino técnico agrícola de Santa Catarina, no contexto da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/96). No tratamento dessa problemática, a presente investigação sustenta a tese, e um conjunto de hipóteses complementares, de que o ensino técnico agrícola, em seu papel de agente formador para a cidadania e para o mundo do trabalho, não vem sendo acionado como processo de conscientização e capacitação para o exercício de um novo estilo de desenvolvimento – o ecodesenvolvimento. A partir da revisão da literatura, elabora-se uma matriz de avaliação com dimensões e critérios de formação para o ecodesenvolvimento que orienta tanto a verificação da situação nos organismos governamentais e não governamentais como uma avaliação local realizada em 12 (doze) Escolas Agrícolas que mantêm o sistema Escola-Fazenda. A partir dos dados coletados, identifica-se o descompasso entre intencionalidades socioambientais manifestadas pelos gestores de políticas públicas de meio ambiente, de ensino técnico, de desenvolvimento agrícola e de trabalho e renda desde a Rio 92 e a dinâmica de funcionamento dos cursos. Percebe-se, todavia, a preocupação do conjunto das comunidades escolares em melhorar o seu desempenho socioambiental. Um exame mais detalhado dos resultados da pesquisa aponta conformidades em alguns critérios de avaliação, estando diversos outros em consolidação. Isso já permite o compartilhamento entre as escolas de experiências e tecnologias que apresentam relação pró-ativa com a questão da sustentabilidade, entre as quais se incluem a produção agroecológica, o funcionamento das cooperativas-escola, as atividades culturais, as ações comunitárias, as parcerias, a gestão democrática, bem como os melhoramentos em saúde e segurança no trabalho, nos padrões sanitários das agroindústrias, na agregação de valor à produção, na coleta e destinação do lixo e dos resíduos orgânicos. O posicionamento do pesquisador perante esse cenário aparece, ao final, na forma de uma contribuição à consolidação de uma pedagogia para o ecodesenvolvimento no ensino técnico agrícola.