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Professores universitários: seus valores e a opção pela Educação Ambiental
A Educação Ambiental (EA), um novo paradigma educacional, vem enfrentando uma série de desafios em seu processo de institucionalização no Brasil e no mundo, apesar de já contar 30 anos. Desde 1999, a Lei Nacional de EA garante a obrigatoriedade de sua difusão em todas as instâncias sociais, seja nos meios de comunicação, nas empresas, no campo ou em cada nível do ensino formal. Sua natureza interdisciplinar fez com que se propusesse incorporá-la de modo transversal nos processos educativos. Considerando as dificuldades de ordem cultural, burocrática, política e mesmo psicológica e social, tal proposição segue distante do horizonte desejado. Na universidade, espaço tradicionalmente conservador em termos de práticas, a situação não é melhor. Idealmente, seria um dos locus transformadores da realidade, por ser formador em tantos sentidos. Ainda assim, existem docentes universitários que arrostam as dificuldades e desenvolvem práticas educativo-ambientais de fato engajadas e transformadoras, conforme proposto por Loureiro. O que os motiva e mobiliza nesse sentido é a questão que orientou esta pesquisa. Tomou-se por hipótese serem os valores pessoais o fator decisivo nessa opção. Nesse caso, que meios e experiências morais, na visão de Puig, os teriam produzido? De que forma? Como se expressam? Em busca de entender essa motivação, lançou-se mão da história oral, através de sua modalidade conhecida por depoimentos pessoais, colhidos por meio de entrevistas. Mesclando memórias, práticas e escolhas, a entrevista percorreu a trajetória pessoal e profissional desses docentes procurando ir além da mera teorização em torno de valores desejados. Assim, foram confrontados a prática e os ideais de cada docente, sendo tomadas por indicadores de alinhamento entre discurso e valores a coerência e a vergonha (segundo La Taille). A riqueza dos relatos indica forte relação entre os valores principais de cada professor e sua prática social. Em comum, tais professores têm um perfil idealista e gosto pela vida, valorizando a justiça, a solidariedade, a gratidão, a relação humana e a responsabilidade, elementos aos quais conseguem dar corpo através de grande engajamento e dedicação ao trabalho, entendido e buscado enquanto meio de realização de seu projeto de vida. Ideias inatas, experiências familiares, socioculturais e educativas parecem ter contribuído para as escolhas de vida dos docentes estudados. Com a identificação desses fatores espera-se poder inspirar a criação de processos formativos, iniciais ou continuados, tendo em vista a generalização do saber ambiental e do sujeito ecológico, conforme propostas de Leff e Carvalho, respectivamente. Pretende-se, por fim, contribuir para o debate acerca do processo pedagógico formador de valores no âmbito da Educação Ambiental.