Título
Atividades educativas ao ar livre: um quadro a partir de escolas públicas da região de Campinas e dos usos de área úmida urbana com avifauna conspícua (Minipantanal de Paulínia - SP)
Este trabalho traz reflexões sobre o desenvolvimento de atividades educativas em parques, áreas verdes e assemelhados. Nele, inicialmente se procura situar práticas educativas ao ar livre perante o debate associado à Educação Ambiental. Em seguida, após breve histórico sobre a utilização de atividades de campo com a educação formal, construiu-se um quadro atual delas em escolas públicas de municípios da região de Campinas – SP. Para isso, uma frente de obtenção de dados foi aberta, a qual incluiu consulta aos planos de gestão das escolas, aplicação de questionários e realização de entrevistas. O quadro obtido revela que essa modalidade de trabalho pedagógico é pouco empregada, atingindo uma minoria de alunos e ocorrendo de forma pontual. Entre as dificuldades explicitadas, destacam-se aquelas relacionadas aos custos envolvidos na organização das atividades e ao baixo poder aquisitivo dos alunos. Perseguir alternativas pragmáticas, como a disponibilização de locais próximos, que admitem o livre acesso, parece um desafio necessário, assim como o é a geração de instâncias coletivas capazes de articular e estruturar a utilização de tais espaços. Entre os locais preferidos pelas escolas, destacam-se os zoológicos, instituições que se caracterizam pela manutenção de animais em cativeiro. Tal preferência remete à possibilidade de melhor considerar a fauna em liberdade, por oposição à cativa, enquanto uma opção às atividades educativas ao ar livre. Para atividades com crianças e jovens estudantes do ensino básico, seria então conveniente escolher locais onde grupos conspícuos da fauna são mais perceptíveis. Dessa forma, conhecer a dinâmica que envolve um ambiente úmido local, que abriga avifauna conspícua, que mantém atividades educativas, foi outra dimensão conferida a este trabalho. A referida área úmida forma-se a partir da Represa de Americana ou Reservatório de Salto Grande, que o consenso aponta como ambientalmente degradado. Entretanto, a presença de avifauna legou-lhe inclusive a denominação Minipantanal de Paulínia – SP. Olhando-o pelo prisma do uso educativo, procurou-se compreender o que lá é desenvolvido, bem como deixar uma contribuição concreta para o conhecimento desse ambiente, especialmente de sua avifauna. Embora ela seja o elemento positivo mais destacado pelos visitantes, é pouco conhecida. Realizou-se, então, um levantamento de campo, o qual permitiu identificar a ocorrência de 144 espécies. Quanto às atividades educativas, percebeu-se que apresentam limitações de diferentes ordens, tanto qualitativas quanto quantitativas.