Título
Subsídios para um processo de gestão de recursos hídricos e Educação Ambiental nas sub-bacias Xaxim e Santa Rosa, da bacia hidrográfica Paraná III
O gerenciamento da água, um dos principais componentes de suporte à vida, se constitui como condição fundamental para a integração de todos os recursos ambientais naturais, econômicos e socioculturais. Nas bacias hidrográficas de diversos estados, a poluição está presente na maioria dos cursos d’água e, em alguns casos, fora de controle, principalmente nas regiões Sul e Sudeste. A região oeste do Paraná é drenada por diversas microbacias, entre as quais se encontram as microbacias Lajeado Xaxim, que faz parte do Rio São Francisco Falso, e Santa Rosa, integrante do Rio São Francisco Verdadeiro, ambas afluentes da Bacia Paraná III, que drena uma importante região do oeste do estado do Paraná diretamente para o Lago da Usina Hidrelétrica de Itaipu. É preciso ter claro que a função da bacia hidrográfica é oferecer condições ideais para o desenvolvimento integrado de estudos ecológicos relacionados à estrutura e dinâmica do ecossistema, visando ao manejo e à conservação do mesmo. Dados esses pressupostos, a presente pesquisa tem por objetivos: caracterizar e avaliar o uso dos recursos naturais no âmbito das microbacias (água, solo e vegetação); buscar o conhecimento local a respeito dos moradores e da bacia a fim de encontrar subsídios técnicos que permitam a compreensão de quais são as percepções dos agricultores e suas famílias sobre os problemas das microbacias estudadas; investigar como a Educação Ambiental Participativa apresenta possibilidades e limites no estímulo e capacitação da comunidade, para que a mesma possa tornar-se participativa e integrada na gestão ambiental da microbacia. A metodologia apoiou-se em pressupostos teórico-metodológicos da pesquisa qualiquantitativa, ancorada na pesquisa-ação participativa, investigação narrativa, por intermédio de entrevistas baseadas em questionários. A caracterização ambiental das bacias foi realizada por levantamento do uso e ocupação do solo, pelo geoprocessamento das propriedades rurais e pela análise da qualidade da água, configurando-se, portanto, como um estudo de caso. Os resultados foram analisados a partir de três abordagens: status, pressão e resposta. Na Microbacia Santa Rosa, 71% dos moradores da comunidade apontam a inadequação das estradas como o principal problema ambiental, agravado pela “falta de canalização da água pluvial” e pela “coleta de lixo na região”. Foi levantada, como status da Microbacia Santa Rosa, a existência de 30 km de estradas a serem adequados, 600 ha de terraços a serem recuperados e 15.000 m de cercas a serem instalados. A pressão é registrada com a falta de 27% da área em ambiente ciliar e 66% de reservas legais a serem implantadas. Na Microbacia Xaxim, faltam 521.5269 ha (62%) de ambiente ciliar e 357,5802 ha (66%) de reservas legais a serem implantados. A análise da água da Microbacia Santa Rosa aponta que alguns parâmetros, como o pH e a turbidez, estariam adequados à classe 1, mas a cor, o O2 e a DBO apontam uma qualidade da água de classe 4, dados que evidenciam o comprometimento, em importantes aspectos da água das bacias, para os usos aos quais se destina, demonstrando urgência na adoção de medidas para a recuperação da qualidade dessa. No que tange à percepção dos moradores, eles apontam que conhecem e possuem preocupações quanto aos problemas existentes, sendo alguns conceitos ambientais compreendidos pela maioria. Contudo, outros conceitos são parcial ou superficialmente conhecidos. Os resultados deste estudo oferecem à sociedade, particularmente ao poder público, aos comitês das bacias e governos municipais e estaduais, informações que podem ser substanciais para a gestão das microbacias, podendo ser consideradas para a criação de um banco de dados relacionais. Também podem subsidiar o trabalho educativo, o qual se propõe, neste estudo, na continuação de um Programa de Educação Ambiental Participativo, a fim de estimular e capacitar a comunidade para uma nova compreensão do ambiente e assim torná-la ativa e participativa na gestão ambiental da microbacia.