Título
O ecoturismo como vetor de desenvolvimento territorial sustentável: um estudo de caso no Alto Vale do Itajaí
Tomando como referência a problemática do meio ambiente, este estudo traça uma radiografia social, econômica e ecológica da região do Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina, buscando identificar aspectos relacionados a um processo – em curso ou em germe – de desenvolvimento territorial sustentável (DTS), no qual o ecoturismo assume papel significativo, ou mesmo determinante. No tratamento dessa problemática, este estudo sustenta a hipótese de que o padrão de ecoturismo que vem sendo desenvolvido no Alto Vale do Itajaí configura-se como uma atividade travestida de “ecológica” que reforça o processo de modernização conservadora e que pouco tem contribuído para a constituição de territórios sustentáveis em Santa Catarina. A partir da revisão da literatura, do objeto da pesquisa e da opção por uma abordagem qualitativa, estruturou-se um roteiro de entrevistas e observação para efetivar uma coleta de dados articulada em visitas técnicas, observações de campo, acesso a documentos e entrevistas com informantes-chave da região em questão, mais especificamente das cidades de Ibirama, Presidente Getúlio e Rio do Sul, as quais constituem o Polo de Ecoturismo de Rio do Sul (Enbratur 2001). Os dados coletados foram analisados à luz dos princípios do DTS, sintetizados em cinco categorias: satisfação das necessidades básicas, prudência ecológica, autonomia ou self-reliance, viabilidade econômica e programas educacionais. A análise dos dados indicou que há um descompasso entre as políticas e proposições oriundas do setor público, da sociedade civil organizada e das iniciativas privadas, tanto entre essas instituições quanto em relação às categorias analíticas. De maneira geral, as políticas e proposições não se complementam, não se conectam, gerando sobreposição de projetos, desperdício de recursos financeiros, repetição de ações, encaminhamentos e empreendimentos. Observaram-se ainda contradições entre os discursos dos informantes e as ações executadas por eles ou por suas instituições. Nesses casos, os discursos se aproximam dos princípios do DTS, mas o conceito de sustentabilidade aí presente caminha na direção de manter a dimensão econômica no centro das ações. Por outra via, constatou-se a presença de uma tomada de consciência socioambiental, a qual se amplia – ou se dissemina – pelos projetos ecoturísticos. Foram encontrados sinais de que o ecoturismo pode constituir-se como vetor de estratégias de DTS caso sejam tomadas algumas medidas pelo poder público e pelas iniciativas da sociedade civil, entre elas: ampliação das conexões com outros setores; planejamento para a implantação do Polo de Ecoturismo e inclusão nesse projeto do tema da reversibilidade; planejamento e elaboração de projetos educacionais pautados pelo pensamento sistêmico, pela educação formal e fora dela; busca de alternativas para os grandes empreendimentos; busca de representação da região em fóruns de níveis mais elevados, como o Comitê Gestor dos Polos de Ecoturismo do Brasil; elaboração de um estudo de fluxo e demanda turística em função dos produtos e serviços que a região do Alto Vale do Itajaí quer/pode ofertar. O posicionamento do pesquisador ante esse contexto aparece ao final, no esboço de cenários futuros desejáveis para a instauração de uma dinâmica de DTS tendo o ecoturismo como vetor.