Título

O ecoturismo como vetor de desenvolvimento territorial sustentável: um estudo de caso no Alto Vale do Itajaí

Programa Pós-graduação
Sociologia Política
Nome do(a) autor(a)
Humberto Luís de Deus Inácio
Nome do(a) orientador(a)
Paulo Henrique Freire Vieira
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2007
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Tomando como referência a problemática do meio ambiente, este estudo traça uma radiografia social, econômica e ecológica da região do Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina, buscando identificar aspectos relacionados a um processo – em curso ou em germe – de desenvolvimento territorial sustentável (DTS), no qual o ecoturismo assume papel significativo, ou mesmo determinante. No tratamento dessa problemática, este estudo sustenta a hipótese de que o padrão de ecoturismo que vem sendo desenvolvido no Alto Vale do Itajaí configura-se como uma atividade travestida de “ecológica” que reforça o processo de modernização conservadora e que pouco tem contribuído para a constituição de territórios sustentáveis em Santa Catarina. A partir da revisão da literatura, do objeto da pesquisa e da opção por uma abordagem qualitativa, estruturou-se um roteiro de entrevistas e observação para efetivar uma coleta de dados articulada em visitas técnicas, observações de campo, acesso a documentos e entrevistas com informantes-chave da região em questão, mais especificamente das cidades de Ibirama, Presidente Getúlio e Rio do Sul, as quais constituem o Polo de Ecoturismo de Rio do Sul (Enbratur 2001). Os dados coletados foram analisados à luz dos princípios do DTS, sintetizados em cinco categorias: satisfação das necessidades básicas, prudência ecológica, autonomia ou self-reliance, viabilidade econômica e programas educacionais. A análise dos dados indicou que há um descompasso entre as políticas e proposições oriundas do setor público, da sociedade civil organizada e das iniciativas privadas, tanto entre essas instituições quanto em relação às categorias analíticas. De maneira geral, as políticas e proposições não se complementam, não se conectam, gerando sobreposição de projetos, desperdício de recursos financeiros, repetição de ações, encaminhamentos e empreendimentos. Observaram-se ainda contradições entre os discursos dos informantes e as ações executadas por eles ou por suas instituições. Nesses casos, os discursos se aproximam dos princípios do DTS, mas o conceito de sustentabilidade aí presente caminha na direção de manter a dimensão econômica no centro das ações. Por outra via, constatou-se a presença de uma tomada de consciência socioambiental, a qual se amplia – ou se dissemina – pelos projetos ecoturísticos. Foram encontrados sinais de que o ecoturismo pode constituir-se como vetor de estratégias de DTS caso sejam tomadas algumas medidas pelo poder público e pelas iniciativas da sociedade civil, entre elas: ampliação das conexões com outros setores; planejamento para a implantação do Polo de Ecoturismo e inclusão nesse projeto do tema da reversibilidade; planejamento e elaboração de projetos educacionais pautados pelo pensamento sistêmico, pela educação formal e fora dela; busca de alternativas para os grandes empreendimentos; busca de representação da região em fóruns de níveis mais elevados, como o Comitê Gestor dos Polos de Ecoturismo do Brasil; elaboração de um estudo de fluxo e demanda turística em função dos produtos e serviços que a região do Alto Vale do Itajaí quer/pode ofertar. O posicionamento do pesquisador ante esse contexto aparece ao final, no esboço de cenários futuros desejáveis para a instauração de uma dinâmica de DTS tendo o ecoturismo como vetor.


Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
26/02/2015