Título
Desastres El Niño-Oscilação Sul (Enos) versus sistemas organizacionais - Paraíba/Brasil, Flórida/Estados Unidos da América e Piura/Peru: uma análise comparativa
Este trabalho trata de um estudo comparativo dos riscos a desastres causados pelo fenômeno El Niño-Oscilação Sul (Enos) versus sistemas organizacionais no período de 1970 a 2000 em três países de diferentes desenvolvimentos socioeconômico e cultural: Brasil, Estados Unidos da América e Peru. No Brasil a pesquisa foi desenvolvida nos municípios de Picuí, Sumé e Sousa, todos localizados na região semiárida do estado da Paraíba. Nos Estados Unidos da América, o estudo foi realizado no Condado de Alachua, Flórida, e no Peru a pesquisa foi executada no Departamento de Piura. O trabalho foi realizado a partir do estudo do trato da coisa pública para o enfrentamento (prevenção, socorro e mitigação) dos efeitos do fenômeno ENOS, como secas, chuvas intensas, inundações, etc. Por meio de visitas de campo e visitas a órgãos públicos e privados, foi analisado como as políticas públicas são implementadas, organizadas e postas em práticas e como a sociedade e os diversos atores participam nesse processo. Em caso de desastres, os Estados Unidos da América possuem planos estratégicos de ação, de contingência e de mitigação de danos e, do ponto de vista assistencial às populações, trabalham fundamentalmente de maneira ordenada e estruturada. No Departamento de Piura o conhecimento dos impactos do fenômeno Enos está presente em todos os setores da sociedade. Há no Departamento de Piura um plano de contingências para os efeitos do evento ENOS, mas o estado de pobreza nesse departamento faz com que a população carente esteja em um nível de vulnerabilidade muito grande ao desastre ENOS. As atividades de mitigação dos efeitos sociais de fenômenos naturais como o ENOS nas regiões estudadas no Brasil, para dar resultados satisfatórios, têm de levar em consideração o nível de pobreza e a carência de educação ambiental das populações locais. A prevenção, a emergência e a mitigação de desastres como o ENOS envolvem todos os segmentos da sociedade. É preciso que a população afetada tenha consciência coletiva para que os impactos socioeconômicos de um desastre sejam os mínimos possíveis. Porém, a falta de educação muitas vezes induz o indivíduo ao desconhecimento da ameaça e da vulnerabilidade, assim como a convivência com o risco pode fazer com que o mesmo não seja visualizado como problema. Daí a necessidade de desenvolver políticas públicas que visem o desenvolvimento sustentado com a diminuição dos riscos. É necessário que se implementem programas de valorização da vida e de educação ambiental visando a prevenção de desastres e o incentivo à organização comunal, proporcionando a participação da população nas tomadas de decisão, com poder de fiscalização das organizações institucionais, governamentais ou não, de modo que venham a atender as necessidades das comunidades locais.