Título

Desastres El Niño-Oscilação Sul (Enos) versus sistemas organizacionais - Paraíba/Brasil, Flórida/Estados Unidos da América e Piura/Peru: uma análise comparativa

Programa Pós-graduação
Recursos Naturais
Nome do(a) autor(a)
Hamilcar José Almeida Filgueira
Nome do(a) orientador(a)
Marx Prestes Barbosa
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2004
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Este trabalho trata de um estudo comparativo dos riscos a desastres causados pelo fenômeno El Niño-Oscilação Sul (Enos) versus sistemas organizacionais no período de 1970 a 2000 em três países de diferentes desenvolvimentos socioeconômico e cultural: Brasil, Estados Unidos da América e Peru. No Brasil a pesquisa foi desenvolvida nos municípios de Picuí, Sumé e Sousa, todos localizados na região semiárida do estado da Paraíba. Nos Estados Unidos da América, o estudo foi realizado no Condado de Alachua, Flórida, e no Peru a pesquisa foi executada no Departamento de Piura. O trabalho foi realizado a partir do estudo do trato da coisa pública para o enfrentamento (prevenção, socorro e mitigação) dos efeitos do fenômeno ENOS, como secas, chuvas intensas, inundações, etc. Por meio de visitas de campo e visitas a órgãos públicos e privados, foi analisado como as políticas públicas são implementadas, organizadas e postas em práticas e como a sociedade e os diversos atores participam nesse processo. Em caso de desastres, os Estados Unidos da América possuem planos estratégicos de ação, de contingência e de mitigação de danos e, do ponto de vista assistencial às populações, trabalham fundamentalmente de maneira ordenada e estruturada. No Departamento de Piura o conhecimento dos impactos do fenômeno Enos está presente em todos os setores da sociedade. Há no Departamento de Piura um plano de contingências para os efeitos do evento ENOS, mas o estado de pobreza nesse departamento faz com que a população carente esteja em um nível de vulnerabilidade muito grande ao desastre ENOS. As atividades de mitigação dos efeitos sociais de fenômenos naturais como o ENOS nas regiões estudadas no Brasil, para dar resultados satisfatórios, têm de levar em consideração o nível de pobreza e a carência de educação ambiental das populações locais. A prevenção, a emergência e a mitigação de desastres como o ENOS envolvem todos os segmentos da sociedade. É preciso que a população afetada tenha consciência coletiva para que os impactos socioeconômicos de um desastre sejam os mínimos possíveis. Porém, a falta de educação muitas vezes induz o indivíduo ao desconhecimento da ameaça e da vulnerabilidade, assim como a convivência com o risco pode fazer com que o mesmo não seja visualizado como problema. Daí a necessidade de desenvolver políticas públicas que visem o desenvolvimento sustentado com a diminuição dos riscos. É necessário que se implementem programas de valorização da vida e de educação ambiental visando a prevenção de desastres e o incentivo à organização comunal, proporcionando a participação da população nas tomadas de decisão, com poder de fiscalização das organizações institucionais, governamentais ou não, de modo que venham a atender as necessidades das comunidades locais.


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