Título
Participação de moradores no programa de coleta seletiva em três bairros de Natal/RN: explorando determinantes socioambientais
O propósito deste estudo foi investigar a participação do morador no programa de coleta seletiva de lixo domiciliar na modalidade porta em porta existente em Natal-RN. Buscou-se compreender se essa participação é decorrência de compromisso pró-ambiental do morador, apesar de a concepção do programa por seus gestores ter sido fortemente embasada na criação de trabalho e renda para os catadores. A coleta de dados envolveu três bairros da cidade e foi realizada em três etapas, com estratégias metodológicas complementares (observação, questionário e entrevista), destacando-se a auto e heteroavaliação realizadas, respectivamente, por moradores e catadores. Identificaram-se as condições sociodemográficas, situacionais/contextuais e disposicionais que determinam a adesão do morador ao programa. Verificou-se que a separação e entrega do material é o tipo de participação mais frequente dos moradores no programa, o que demonstra que eles se apropriam pouco do processo decisório, participando de modo passivo. Existem duas motivações principais para a participação no programa: ambiental e social. Embora a primeira seja a mais frequente, constata-se pouca conscientização ambiental associada ao processo, o que pode ser reflexo de uma mera reprodução do discurso pró-ambiental vigente. A motivação por questões sociais se apresenta fortemente relacionada à ajuda ao próximo/filantropia. O conhecimento apresentou-se como um indicador importante para a participação, que também sofre influência das redes sociais, formadas por vizinhos, parentes e amigos. Pode-se concluir que, a despeito de o desenho do programa enfatizar o social, alguns moradores percebem também o benefício ambiental embutido, possivelmente como fruto de um conhecimento oriundo de fontes externas ao programa. Programas de educação ambiental que minimizem o argumento do desconhecimento como justificativa para a não participação e ações que aproximem gestão municipal e população deveriam ser promovidos a fim de que se decida conjuntamente sobre as atividades que buscam a sustentabilidade.