Título
Os parques de papel
Os parques, como unidades de manejo, são importantes para a proteção dos recursos ambientais. A conservação, focando somente esse objetivo primário, torna-se pragmática, ameaçando a inserção social do parque pela degradação de sua imagem. Um cerne filosófico de busca de paraísos intocados amplifica esse problema. A imagem dos parques é um importante componente da conservação e as mudanças dessa percepção social ao longo do tempo deveriam ser monitoradas e manejadas. Assim, os parques podem ser percebidos sob o foco de diferentes olhares, influenciados por múltiplas escalas e valores, porém, as diversas identidades do espaço aumentam a complexidade da sua gestão. Logo, o conhecimento sobre o conjunto de representações da sociedade sobre essas unidades de conservação é um componente importante da conservação. A Educação Ambiental interliga as atribuições geralmente conferidas aos parques, sendo condição básica para que as pessoas adquiram uma postura crítica perante as relações dos parques com a sociedade. No entanto, não se pode restringir às fronteiras da UC. Deve ser pensada com diferentes objetivos, como um instrumento importante para viabilizar a inserção social das áreas protegidas. O Parque Estadual da Serra da Tiririca (Peset) foi criado em 1991, porém, só teve seus limites definitivos decretados em 2007. Durante esse período, a atuação da especulação imobiliária provocou a redução do parque. Logo, o conhecimento da história da região e do processo de institucionalização do parque pode contribuir para a sua gestão. O objetivo deste estudo é descrever as percepções, atitudes, indicadores e argumentos de moradores e visitantes do Peset para a conservação do entorno, buscando diretrizes que contribuam para o seu manejo. A base metodológica é a pesquisa qualitativa realizada a partir de diferentes procedimentos, como a aplicação de entrevistas e a análise de conteúdo. O processo de criação do parque criou passivos sociais que deveriam ter sido gerenciados. A sua imagem positiva refere-se à mobilização política pela sua criação e à vigilância da sociedade. No âmbito negativo, apontam-se problemas administrativos relacionados ao IEF. A administração estadual deve se fazer presente com políticas consistentes, duradouras e democráticas. O Peset é visto como um parque de papel e como um palco de conflitos relacionados à especulação imobiliária, situação fundiária e política. É um parque que também tem um grande valor local como área de lazer e como um registro histórico. Porém, as pessoas não identificam sua importância biológica. O manejo de sua imagem deve amplificar seus aspectos positivos. Moradores e visitantes têm uma percepção de abandono administrativo e carecem da estruturação do seu uso público. Poucos reconhecem a importância ecológica do parque; além disso, o perfil social que demandou a sua criação mudou. Dessa maneira, é premente a confecção do seu plano de manejo, bem como de atividades de Educação Ambiental para a gestão adequada e mudança dessas percepções para uma imagem mais positiva dessa unidade de conservação. Os indicadores propostos relacionam-se às suas esferas simbólica, institucional e territorial. O parque apresenta um grau satisfatório nas relações com moradores e visitantes, mas alguns indicadores precisam ser melhorados.