Título
Ambientalização sistêmica na gestão e na Educação Ambiental: estudo de caso com o Ensino Profissional Marítimo - EPM
Este trabalho tem por objetivo propor meios para integrar a Educação Ambiental (EA) à capacitação de trabalhadores portuários avulsos através da ambientalização curricular e sistêmica, seguindo referenciais e princípios da EA e da gestão ambiental. Para isso, foram considerados os níveis da macroescala (o sistema nacional de capacitação portuária), da mesoescala (o local da oferta) e da microescala (a sala de aula), com ênfase nesta última. A base teórica é multirreferencial, com aportes das áreas da Educação e da Educação Ambiental, priorizando a discussão curricular, a ambientalização e a avaliação em Educação Ambiental. A metodologia emprega diferentes abordagens, utilizando como procedimentos e técnicas o estudo de caso (o Curso Básico do Trabalhador Portuário, aplicado em Rio Grande-RS); a aplicação de entrevista (com entrevistado de referência); a aplicação de questionários (a professores instrutores) e a análise de documentos (registros de atividades em sala de aula com os trabalhadores portuários e documentos dos órgãos gestores do sistema). A estratégia escolhida constou de três fases: Fase I – o diagnóstico do sistema e do triângulo interativo (professor, aluno, curso); Fase II – estudo de caso: o Curso Básico do Trabalhador Portuário – CBTP; Fase III – elaboração das propostas. Os resultados indicam que, sob a ótica dos princípios da EA, o sistema de capacitação portuária tem pontos fracos (é pouco democrático e participativo; os cursos têm ênfase no saber-fazer, não são regionalizados; sua avaliação é classificatória; a EA é disciplinar, de baixa carga horária) e fortes (sistema em rede, bem organizado, com políticas contínuas e gestão estável, facilitando a implantação de mudanças; há uma cultura de sala de aula; há um espaço de avaliação permanente). A participação dos trabalhadores nas ofertas da disciplina “Meio Ambiente” trouxe importantes subsídios, entre os quais as suas representações sobre meio ambiente, impactos ambientais cotidianos e impactos ambientais portuários. O perfil dos professores instrutores é semelhante ao nacional, tendo sido classificados como “instrutor portuário” e “instrutor tècnico”, de acordo com as categorias de habilitação, experiência, conhecimento e formação. Os instrutores ouvidos são favoráveis à integração dos temas ambientais, mas indicam a falta de conhecimento e de capacitação ambiental como a principal limitação para tratá-los em suas disciplinas. A partir dos resultados obtidos, foi estruturada uma proposta metodológica de ambientalização curricular (a sequência: diagnóstico – critérios direcionadores – conceitos integradores – temas e conteúdos – ambientalização curricular) e três propostas de operacionalização: estratégia de ambientalização curricular, capacitação ambiental do docente portuário e sistema de indicadores ambientais portuários (Siaap), que buscam integrar as mudanças curriculares à ambientalização institucional, a estratégias de capacitação ambiental de professores-instrutores e à definição dos indicadores de avaliação dessas mudanças. Desse processo concluímos que as oportunidades e forças identificadas permitirão que tais propostas sejam efetivadas no sistema de capacitação portuária, possibilitando uma ambientalização sistêmica e abrangendo, além da microescala (os cursos), a macroescala (o espaço portuário e ambiental adjacente).