Título
Educação Ambiental não formal: a práxis coletiva dos pescadores artesanais no rio Paraguai, Cáceres, Mato Grosso, Brasil
Cáceres está situada à margem esquerda do Alto Paraguai, na região centro-oeste, Brasil, possuindo coordenadas: latitude sul (16º 11' 42'') e longitude oeste (57º 40' 51''), com altitude de 118 metros acima do nível do mar. Esta pesquisa foi realizada com o objetivo de conhecer a percepção dos pescadores profissionais da Colônia Z-2 com relação às funções ambientais, às potencialidades e aos impactos do rio Paraguai ao longo do perímetro urbano da cidade de Cáceres-MT, a fim de tornar possível a participação de todos os envolvidos em atividades de Educação Ambiental, visando a conservação ambiental e a melhoria de qualidade de vida no cotidiano dessas pessoas. A pesca tem grande importância para a população de Cáceres-MT, pois é a base econômica para muitas famílias de baixa renda que utilizam as águas do Alto Paraguai, portal do Pantanal Mato-Grossense. Os procedimentos metodológicos utilizados para a coleta de dados foram análise documental, observação participante, diálogos informais, entrevistas, trabalhos de campo, aplicação de questionários, realização de oficinas, dinâmicas de grupo, palestras, sistematização e interpretação de dados. Como resultados, concluímos que os pescadores profissionais têm enfrentado uma série de problemas gerados pela pesca predatória, pelo desmatamento e pelo turismo não orientado, práticas inconsequentes que vêm causando dificuldades no estoque pesqueiro (quantidade) e na biodiversidade da ictiofauna (espécies) ao longo do tempo, além de impactos socioambientais no rio Paraguai, como exclusão dos profissionais da pesca, assoreamento e erosão das margens. Muitos deles apontam as atividades poluidoras e predatórias, estão conscientes de que podem ajudar os órgãos ambientais e apresentam sugestões para as questões da pesca profissional e esportiva. A partir da identificação dos problemas coletivos que enfrentam e da interpretação da percepção que possuem sobre tais questões, foi possível realizar práticas de Educação Ambiental, levando-se em consideração o diálogo aberto e crítico. Constatou-se que a gestão ambiental no âmbito municipal e mesmo regional para o rio Paraguai carece de atenção, tanto pelo poder público como pela população e pelo setor privado, faltando uma rigorosa fiscalização para a pesca predatória e maior abertura para a participação dos pescadores profissionais na gestão pública.