Título

A formação e o trabalho dos educadores ambientais. Um diálogo com as memórias

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Claudia Lino Piccinini
Nome do(a) orientador(a)
Hedy Silva Ramos de Vasconcellos
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2009
Dependência Administrativa
Privada
Resumo

Nesta tese optou-se por compreender as escolhas, as trajetórias formativas e do mundo do trabalho de uma categoria profissional reconhecida como educadores ambientais. Iniciou-se com estudos das problemáticas atuais da Educação Ambiental (EA), da sua institucionalização, da profissionalização dos quadros que atuam nesse campo e, considerando que a EA está contemplada na legislação nacional em todos os níveis e modalidades de ensino, da sua inserção nas políticas educacionais. Parte-se do materialismo histórico de Marx e Engels para compreender o mundo do trabalho na contemporaneidade e da perspectiva gramsciana para pensar esses educadores como intelectuais. Estudos recentes do campo da EA ajudam a problematizar as questões centrais que emergem do texto dos memoriais, fonte dos dados da pesquisa. Sob a orientação da teoria enunciativa de Bakhtin, obteve-se do texto memorialístico mais do que uma simples interpretação das narrativas dos acontecimentos e das ideias, puderam-se relacionar também as diversas trajetórias e pôde-se ir além dos "não ditos". Analisando a questão central de investigação – como educadores ambientais traçaram seus caminhos de formação e de atuação profissional? –, concluiu-se que a característica primeira dessas trajetórias é a diversidade de espaços-tempo de acesso ao ambiental, que vão desde uma motivação inicial na infância, passando pelas opções possíveis na graduação, através da pesquisa e da extensão, até as iniciativas para lidar com as exigências do mundo do trabalho, chegando à pós-graduação, que surge como forma de suprir as carências de uma formação inicial insuficiente para as demandas do campo ambiental crítico. Verifica-se o relato de uma grande variedade de atividades profissionais, direcionadas a públicos diversos, mas submetidas às estruturas alienantes e precarizadas do mundo do trabalho no capitalismo. O aumento da qualificação significa a ampliação dos loci, das funções e do tempo consumido pelo trabalho. Existe um registro discursivo dominante que tende a desconhecer os limites da educação para a transformação socioambiental. Considera-se que o processo de profissionalização está marcado pelos históricos embates e dualismos do campo – multidisciplinar ou interdisciplinar, teoria ou prática, formação na graduação ou na pós-graduação, EA crítica ou EA tradicional –, que revelam aspectos muitas vezes contraditórios da formação e do exercício da EA.


Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
14/12/2014