Título
A formação e o trabalho dos educadores ambientais. Um diálogo com as memórias
Nesta tese optou-se por compreender as escolhas, as trajetórias formativas e do mundo do trabalho de uma categoria profissional reconhecida como educadores ambientais. Iniciou-se com estudos das problemáticas atuais da Educação Ambiental (EA), da sua institucionalização, da profissionalização dos quadros que atuam nesse campo e, considerando que a EA está contemplada na legislação nacional em todos os níveis e modalidades de ensino, da sua inserção nas políticas educacionais. Parte-se do materialismo histórico de Marx e Engels para compreender o mundo do trabalho na contemporaneidade e da perspectiva gramsciana para pensar esses educadores como intelectuais. Estudos recentes do campo da EA ajudam a problematizar as questões centrais que emergem do texto dos memoriais, fonte dos dados da pesquisa. Sob a orientação da teoria enunciativa de Bakhtin, obteve-se do texto memorialístico mais do que uma simples interpretação das narrativas dos acontecimentos e das ideias, puderam-se relacionar também as diversas trajetórias e pôde-se ir além dos "não ditos". Analisando a questão central de investigação – como educadores ambientais traçaram seus caminhos de formação e de atuação profissional? –, concluiu-se que a característica primeira dessas trajetórias é a diversidade de espaços-tempo de acesso ao ambiental, que vão desde uma motivação inicial na infância, passando pelas opções possíveis na graduação, através da pesquisa e da extensão, até as iniciativas para lidar com as exigências do mundo do trabalho, chegando à pós-graduação, que surge como forma de suprir as carências de uma formação inicial insuficiente para as demandas do campo ambiental crítico. Verifica-se o relato de uma grande variedade de atividades profissionais, direcionadas a públicos diversos, mas submetidas às estruturas alienantes e precarizadas do mundo do trabalho no capitalismo. O aumento da qualificação significa a ampliação dos loci, das funções e do tempo consumido pelo trabalho. Existe um registro discursivo dominante que tende a desconhecer os limites da educação para a transformação socioambiental. Considera-se que o processo de profissionalização está marcado pelos históricos embates e dualismos do campo – multidisciplinar ou interdisciplinar, teoria ou prática, formação na graduação ou na pós-graduação, EA crítica ou EA tradicional –, que revelam aspectos muitas vezes contraditórios da formação e do exercício da EA.