Título
Universidade e educação ambiental
A sociedade constitui-se das inter-relações de diversos campos simbólicos de atuação, nos quais vários agentes se identificam por valores, hábitos e metas. A presente tese analisou, tomando por base a Teoria do Campo Social, de Pierre Bourdieu, o campo ambiental e a universidade, partindo dos princípios de que a universidade é um dos locais propícios para a discussão, estudo, elaboração de conhecimento e de que a educação ambiental é um dos meios de disseminação de conhecimentos e ações em favor da questão ambiental. Procurou-se contextualizar e identificar os principais fatores que configuram a universidade enquanto um campo social e evidenciar os elos e o conflito com o ambientalismo. Percebe-se a universidade como espaço de tensões cujo capital social produzido no âmbito acadêmico deve ser suficientemente convincente no sentido da transformação da sociedade, da expansão de consciência e do amadurecimento crítico e assim figurar como agente de transformação social. A articulação entre os diversos campos sociais promovida pela universidade poderá contribuir para a formulação de conhecimento que pode constituir base para a elaboração de políticas e programas para responder aos problemas da sociedade contemporânea. Há o inter-relacionamento dos dois campos, contudo, essa relação ainda é frágil, necessitando de uma continuidade de práticas sociais que possibilitem que a questão ambiental faça parte da cultura da universidade. Isso poderá se dar com a intensificação das ações e da inclusão das questões ambientais nos mecanismos de comunicação e gerenciamento administrativo. Para superar as descontinuidades causadas pelas mudanças dos grupos dirigentes e pelos interesses político-conjunturais, é preciso que se criem habitus, o que passa pela institucionalização de práticas e constituição de uma cultura que permitam aos agentes se reorganizarem defendendo os interesses de transformação social perante os interesses econômicos, tanto na universidade quanto no campo ambiental.