Título
Os nós, os laços e a rede: considerações sobre a institucionalização da Educação Ambiental no Brasil
Este trabalho visa realizar uma análise do processo de institucionalização da Educação Ambiental (EA) brasileira. Para tal, discute as tensões, consensos, distanciamentos entre os principais setores protagonistas da EA no Brasil: as instâncias oficiais da EA no âmbito do governo federal e da Rebea (Rede Brasileira de Educação Ambiental). O estudo sustenta sua análise na perspectiva da teoria crítica, discute as relações entre estado e sociedade no campo da EA pelo viés de Santos, tece considerações sobre a estruturação e organização do movimento ambientalista no campo da EA, em rede, adotando a perspectiva das redes preconizada por Castells, Latour, Maturana e outros. A pesquisa apresenta uma análise da trajetória histórico-política da EA brasileira, bem como trabalho de campo que pode ser descrito como uma consulta a alguns educadores ambientais. Foram entrevistados três grupos: dirigentes governamentais, facilitadores da Rebea e participantes da Rebea com visões antagônicas às da atual secretaria executiva dessa rede. Os resultados das entrevistas contribuíram para a compreensão do processo de institucionalização da EA no Brasil, uma vez que cada grupo representou um espaço diferente nesse processo. Podemos concluir que foi possível identificar neste trabalho a institucionalização da EA no Brasil tanto no seu aspecto jurídico quanto político. Observou-se também que há uma postura de parceria entre os movimentos sociais representados pela Rebea, em substituição à, ainda existente nos anos 2000, postura reivindicatória e denuncista mais presente nos movimentos sociais dos anos 80. Dessa forma, identificou-se que a institucionalização da EA ocorreu de forma consoante com o movimento de redemocratização do país, refletido também em outras áreas de governo. Pôde-se observar a participação da Rebea no fomento e na produção de políticas públicas para atender às novas demandas sociais, bem como se verificou que a Rebea teve uma participação importante na formação dos quadros ministeriais, portanto, no âmbito do governo federal, participando das linhas de atuação, programas e ações do governo. Com as estruturas de Estado sendo ocupadas por pessoas de origem na Rebea, o movimento social representado nesse setor acabou servindo como eixo propagador e disseminador das políticas e ações de governo, criando tensões e aproximações características que marcam o cenário da EA nacional.